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Pneumologia4 novembro 2026

Retatrutida reduz a gravidade da apneia do sono em pacientes com e sem diabetes

Ensaios de fase 3 testam a retatrutida na apneia do sono associada ao excesso de peso, com efeitos sobre hipoxemia noturna, peso e sintomas

A apneia obstrutiva do sono (AOS), em sua forma moderada a grave, afeta mais de 400 milhões de pessoas no mundo, e o excesso de adiposidade constitui um importante fator etiológico reversível. Dois ensaios publicados em outubro de 2026 no New England Journal of Medicine (NEJM) avaliaram a Retatrutida, um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e Glucagon, em adultos com AOS e sobrepeso ou obesidade. Os resultados demonstram redução da frequência de eventos respiratórios e da carga hipóxica, inclusive em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), população na qual o efeito das terapias incretínicas sobre a AOS permanecia menos esclarecido.  

Saiba mais: Tirzepatida no tratamento da SAOS e Obesidade 

Como os ensaios TRIUMPH-OSA foram desenhados? 

TRIUMPH-1-OSA e TRIUMPH-2-OSA foram ensaios de fase 3, multicêntricos, duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo, aninhados em estudos maiores de manejo do peso e financiados pela farmacêutica Eli Lilly.:  

  • O primeiro, conduzido em 22 centros de três países, excluiu pacientes com DM2;  
  • O segundo, realizado em 49 centros de cinco países, incluiu apenas pessoas com DM2 (HbA1c entre 6,5% e 10,5%, com tratamento estávelpor ao menos 90 dias). 

Foram elegíveis adultos com índice de massa corporal (IMC) ≥ 27 kg/m² e índice de apneia-hipopneia (IAH) ≥ 15 eventos/hora à polissonografia. Foram incluídos usuários e não usuários de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP); os últimos suspenderam o CPAP por 7–9 dias antes das avaliações. 

Os participantes foram randomizados na proporção 1:1:1:1 para Retatrutida subcutânea semanal, inicialmente na dose de 2 mg, com progressão para doses alvo de 4, 9 ou 12 mg (mesmo alvo terapêutico dedicado ao tratamento da obesidade), ou placebo, com aconselhamento universal sobre estilo de vida, com foco em alimentação e atividade física.  

O desfecho primário foi a variação do IAH na semana 80 com as doses de 9 e 12 mg. Os secundários-chave incluíram queda ≥ 50% no índice, remissão ou AOS leve sem sonolência, variação do peso e da carga hipóxica. 

Índice de apneia-hipopneia cai mais nas doses intermediária e alta 

Foram randomizados 243 participantes no TRIUMPH-1-OSA e 448 no TRIUMPH-2-OSA, com IAH basal médio de 58,6 e 55,9 , respectivamente, e peso médio de 119,6 kg e 115,9 kg. Lembramos que, baseado no IAH, a AOS é classificada em leve (5-15 eventos/hora); moderada (15-30 eventos/hora) e grave (≥ 30 eventos/hora). 

Entre os pacientes sem DM2, o IAH caiu 34,3 eventos por hora com 9 mg e 31,7 com 12 mg, contra 9,9 com placebo. A diferença em relação ao placebo foi de −24,4 (IC95% −34,1 a −14,7) e −21,9 (IC95% −32,2 a −11,5), respectivamente (p<0,001 para ambas). 

No grupo com DM2, as reduções foram de 24,7 e 25,4 eventos por hora com 9 e 12 mg, frente a 10,3 com placebo, com diferenças de −14,4 (IC95% −21,6 a −7,2) e −15,1 (IC95% −22,5 a −7,7) (p<0,001). 

A dose de 4 mg também superou o placebo nos dois estudos, com diferenças de −13,0 (IC95% −23,0 a −3,0) e −8,9 (IC95% −15,9 a −2,0) (p=0,01).  

A análise por intenção de tratar corroborou os dados, e o efeito pareceu consistente nos subgrupos, incluindo usuários de CPAP. 

Carga hipóxica, peso corporal e sono nos desfechos secundários 

Com 9 e 12 mg, a redução de ao menos 50% no IAH ocorreu em 65,7% e 61,4% dos pacientes sem DM2, contra 23,9% com placebo, e em 52,3% e 52,5% daqueles com DM2, contra 24,4% com placebo. A remissão ou AOS leve sem sonolência excessiva foi alcançada por 51,6% e 42,3% versus 12,5% no TRIUMPH-1-OSA e por 39,5% e 38,9% versus 12,6% no TRIUMPH-2-OSA. 

A carga hipóxica caiu entre 62,8% e 75,0% nas doses mais altas, frente a 25,5% e 30,0% com placebo.  

A perda de peso chegou a 22,2% no grupo sem DM2 e 18,5% no grupo com DM2, contra 4,8% e 5,6% no grupo placebo.  

Saiba mais: Retatrutida reduziu em mais de 30% o peso dos pacientes em estudo 

Ponderar eventos adversos gastrointestinais e limites da evidência 

Eventos adversos ocorreram em 88% a 93% dos pacientes tratados e em 76% do grupo placebo no TRIUMPH-1-OSA, e em 73% a 84% versus 71% no TRIUMPH-2-OSA. Predominaram diarreia, náusea, constipação e dispepsia, em geral leves a moderadas e concentradas na fase de escalonamento de doses.  

Eventos graves atingiram 8% dos tratados e 10% dos que receberam placebo nos dois estudos. A frequência cardíaca subiu 5 a 7 batimentos por minuto no pico, e disestesias foram mais frequentes com o fármaco. Foi observado apenas um evento de pancreatite aguda.  

Entre as limitações do estudo, citamos a exclusão de pacientes com IMC < 27, o que não permite extrapolação dos dados para pacientes sem excesso de peso; a carga basal de sintomas relacionados ao sono era, em média, baixa ; a taxa elevada de indivíduos que não completaram o estudo (11-12%); e ausência de avaliação de desfechos cardiovasculares de longo prazo ou taxa de adesão ao CPAP.  

Mensagens práticas 

  • A Retatrutida, ainda investigacional e não aprovada por agências regulatórias, como FDA e ANVISA, reduziu substancialmente a gravidade polissonográfica da AOS associada ao excesso de peso, com benefício demonstrado também em pacientes com diabetes tipo 2.  
  • Os resultados reforçam o tratamento da obesidade como componente relevante do manejo da AOS, mas não estabelecem superioridade sobre outras terapias (Tirzepatida) nem justificam a retirada automática do PAP. A melhora do IAH e da carga hipóxica também não equivale, por si só, à comprovação de redução de eventos cardiovasculares. 

Saiba mais: Qual droga anti-obesidade utilizar em pacientes com apneia do sono? 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos. 

Autoria

Foto de Mariana Mastrangelo

Mariana Mastrangelo

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