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Anestesiologia5 novembro 2018

Avaliação pré-anestésica: como realizar?

A avaliação de um paciente pelo anestesista antes da cirurgia é um procedimento obrigatório segundo resolução do CFM. Confira como fazer.

Por Ronaldo Gismondi

A avaliação de um paciente pelo anestesista antes da cirurgia é um procedimento obrigatório segundo resolução do CFM. Nesta consulta, o médico deverá avaliar o estado de saúde do paciente, se há condições para a cirurgia em segurança e quais medidas são necessárias. Além disso, é o momento ideal para o consentimento informado sobre a anestesia e a discussão de custos.

O momento da avaliação fica a critério do anestesista, mas é mais comumente realizado na véspera. Muitos profissionais já estão incluindo nessa avaliação o chamado “risco cirúrgico”, que nada mais é do que uma avaliação clínica no pré-operatório. Uma curiosidade: a avaliação não precisa ser feita pelo mesmo anestesista que estará em sala, mas isso deve ser claramente avisado ao paciente.

avaliação pré-anestésica

Avaliação pré-anestésica

Toda avaliação pré-anestésica deve incluir:

1) Anamnese, incluindo medicação em uso, alergias e comorbidades.
2) Avaliação da capacidade funcional.
3) Preditores de via aérea difícil

  • O mais usado é a classificação de Mallampati, mas deve incluir outros, como abertura oral, estado dos dentes, grau de mobilidade cervical, distância tireomentoniana e esternomentoniana.

4) Exames complementares

  • Não há consenso dos exames mínimos obrigatórios, mas os livros clássicos em anestesiologia trazem a recomendação expressa na lista abaixo.

Figura 1. Classificação de Mallampati (Fonte: Whitebook)

Classificação de Mallampati

Lista: Exames complementares recomendados

  • Estado Físico Doença ou Condição Associada Exames Pré-Operatórios
  • ASA I Idade > 65 anos Hemoglobina, hematócrito
  • Idade > 60 anos Glicemia, creatinina
  • Idade > 45 anos (homem) ou > 55 anis (mulher) ECG
  • Diabetes mellitus Hemoglobina, hematócrito, glicemia, creatinina, Na*, K*, ECG
  • ASA II Doença cardiovascular ECG, creatinina. Considerar Rx de tórax
  • Uso de diuréticos Na* e K*
  • Doença pulmonar considerar Rx de tórax
  • Tabagismo crónico (acima de 20 anos/maço) ECG. Considerar Rx de tórax.
  • ASA III Doença cardiovascular, Hemoglobina, hematócrito, gicemia, creatinina, Na* e K*, diabetes mellitus ou ECG, Rx de tórax
  • Doença respiratória
  • ASA II E III Com outras doenças Exames de acordo com a doença
  • História suspeita de anemia Hemoglobina, hematócrito
  • Cirurgias de grande porte
  • Uso de anticoagulantes
  • ASA I, II E III Uso fitoterápico Coagulograma
  • História de sangramentos
  • Cirurgias de grande porte
  • Cirurgias com risco aumentado de sangramento

Ao final, o médico deverá realizar a classificação do risco para a cirurgia, sendo a mais utilizada a ASA.

Caso o médico opte pela realização do risco cirúrgico junto da avaliação pré-anestésica, deve consultar ainda os textos sobre:

No campo da anestesiologia, esse é ainda o momento de decidir a profilaxia antibiótica, cujo guia temos no Whitebook, e a necessidade de medicação pré-anestésica. Os fármacos mais utilizados são os benzodiazepínicos, com objetivo de redução da ansiedade.

Referências:

  • Butterworth, J., Mackey, D., Wasnick, J., Morgan, G. and Mikhail, M. Anestesiología clínica de Morgan e Mikhail. 5° edição. Editora Thieme Revinter, 2017.
  • Gamermann, P. Rotinas em anestesiologia e medicina perioperatória. 1° ediçao. Artmed, 2016

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