Os cenários de atividade prática em saúde também são utilizados com frequência como cenário de ensino. Outra característica inerente ao setor de saúde é a constante necessidade de aprendizagem contínua dos profissionais. Boa parte desse sistema de ensino e aprendizagem é realizado através da discussão de caso clínico. Seja no internato ou na residência, o momento da apresentação do caso para discussão, usualmente conhecido como passagem de caso, pode ser desafiador e com algumas barreiras para aprendizagem.
Como alternativa para facilitar o processo, Wolpaw e colaboradores desenvolveram uma ferramenta de comunicação para sistematizar os processos da passagem de caso. Com uma abordagem baseada em evidências, o SNAPPS (mnemônico em língua inglesa que condensa as tarefas de cada processo) além facilitar a comunicação do caso, também implementa uma melhor organização de raciocínio clínico. Para Wolpaw e colaboradores, a metodologia propicia uma abordagem educacional colaborativa e que irá colocar o aprendiz no protagonismo do seu processo de ensino-aprendizagem.
No vídeo de hoje, o médico de família e comunidade, Marcelo Gobbo, explica como passar um caso clínico em 6 passos simples.
Confira o vídeo!
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Sistematização de processos do modelo SNAPPS
Em 2022 Berg-Poppe e colaboradores conduziram um estudo que demonstrou empiricamente os impactos da sistematização de processos do modelo SNAPPS.O estudo foi um piloto de ensaio clínico utilizado para avaliar o impacto da metodologia na melhoria do processo de ensino e aprendizagem de residentes. O resultado do ensaio clínico piloto identificou uma melhora nos seguintes desfechos:
- Fornecimento de uma justificativa verbal para o raciocínio clínico
- Capacidade de formular conclusões ponderadas e relevantes
- Percepção de confiança na proposta diagnóstica
- Percepção de confiança na escolha de uma intervenção apropriada
Aqui você encontra uma aplicação do modelo em um caso clínico.
História e exame clínico
Paciente de 20 anos que se identifica como mulher refere que há cerca de um mês tem percebido cefaleia descrita como pulsátil, contínua, de forte intensidade, unilateral, associada a náuseas, fotofobia e fonofobia, com melhora ao uso de anti-inflamatórios. Refere que já apresentou esse padrão de dores no passado, mas que os episódios recomeçaram após iniciar um estágio durante o dia e a faculdade no período noturno além reduzir o número de horas de sono também aumentou o consumo de café. No exame físico não foram encontradas alterações significativas e a pontuação objetiva da dor com o EVA foi de 6.
- Numerar os diferenciais a 2 ou 3 possibilidades mais relevantes.
Ex: diferenciais para cefaleia sem sinais de alarme
Ex: enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas
- Analisar os diferenciais através de comparações e contrastes entre as possibilidades.
Ex: Padrão da dor, fatores desencadeantes, preocupação com causas primárias
- Perguntar ao preceptor sobre suas incertezas, suas dificuldades ou possíveis abordagens alternativas.
‘Estou pensando em prescrever um AINE para diminuir a dor, mas não sei se é a melhor opção. O que você recomenda?’
‘Também tive dúvidas em relação à necessidade de um exame de imagem. Preciso pedir tomografia para essa paciente?’
- Planejar o manejo dos problemas de saúde do paciente.
Propor e planejar a conduta e o seguimento com o preceptor
- Selecionar um tópico relacionado ao caso para estudo individual.
Ex: estudar os diagnósticos diferenciais de cefaleia primária e secundária, estudar os sinais de alarme de cefaleia.
Veja também: Caso Clínico: paciente com síndrome de locked-in.
Tópicos abordados no vídeo
- Método snapps
- Snapps na prática
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