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Saúde6 março 2026

Projeto piloto levará semaglutida ao SUS para estudar tratamento da obesidade

Iniciativa da Novo Nordisk em parceria com instituições públicas pretende gerar dados sobre o impacto do medicamento e de protocolos multidisciplinares no sistema público

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou uma parceria com instituições públicas brasileiras para implementar um projeto piloto que inclui o uso do medicamento semaglutida no tratamento da obesidade em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte de um protocolo de cuidado mais amplo, que pretende avaliar o impacto clínico e assistencial dessa abordagem na rede pública.

O programa será implementado inicialmente em dois centros já definidos: o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, instituição federal, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro. Um terceiro centro municipal ainda será selecionado para integrar o projeto.

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A iniciativa brasileira integra um programa global de Acesso Equitativo lançado pela Novo Nordisk em parceria com o governo da Dinamarca, que também prevê projetos semelhantes na Europa e em algumas ilhas do Pacífico.

Protocolo inclui tratamento medicamentoso e abordagem multidisciplinar

O projeto não se limitará ao fornecimento do medicamento. A proposta prevê a implementação de um protocolo de cuidado integrado para obesidade, com acompanhamento clínico e orientações nas áreas de nutrição, saúde mental e atividade física.

As instituições participantes receberão capacitação profissional e definirão critérios para seleção dos pacientes que participarão da iniciativa. A prioridade deve ser dada a pessoas com maior risco cardiovascular, como pacientes com histórico de infarto, acidente vascular cerebral ou doença coronariana estabelecida.

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A expectativa é que o projeto tenha duração inicial de pelo menos dois anos, período no qual serão coletados dados clínicos e assistenciais capazes de avaliar os efeitos do tratamento no contexto do SUS.

Projeto busca gerar evidências para políticas públicas

Atualmente, nenhum medicamento para obesidade está incorporado ao SUS. A inclusão de terapias baseadas em análogos de GLP-1, como a semaglutida, já foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas não foi recomendada devido ao alto custo.

Segundo a empresa, o objetivo do projeto é justamente gerar dados de “mundo real” que permitam avaliar não apenas os resultados clínicos do tratamento, mas também seus impactos no sistema de saúde, como redução de complicações cardiovasculares, hospitalizações e demanda por procedimentos mais complexos.

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O tema ganha relevância diante do crescimento da obesidade no país. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que a prevalência da doença aumentou 118% entre 2006 e 2024, atingindo cerca de 25,7% dos adultos brasileiros. Quando considerado o sobrepeso, a proporção chega a 62,6% da população.

A expectativa é que os resultados obtidos nos centros participantes contribuam para futuras discussões sobre estratégias de tratamento da obesidade no sistema público de saúde.

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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