O Instituto Nacional de Câncer (INCA) está à frente de um projeto que pretende impulsionar a oncologia de precisão no Brasil por meio da criação de um amplo banco de dados genéticos de tumores identificados na população brasileira. A iniciativa, chamada Atlas Tumoral da População Brasileira (ATPBR), teve recentemente um artigo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
O estudo integra o Programa Genomas Brasil e foi aprovado em 2023 com investimento de R$ 8,72 milhões ao longo de três anos, financiado pelo Ministério da Saúde. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre as características moleculares dos tumores no país e fortalecer estratégias de medicina personalizada no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Mapeamento genético de tumores brasileiros
O Atlas Tumoral tem como objetivo a construção de um mapa genético representativo da população brasileira, reunindo informações moleculares que possam orientar diagnósticos e tratamentos mais precisos.
Atualmente, grande parte dos bancos de dados genômicos utilizados em pesquisas oncológicas é baseada em populações do chamado Norte Global, o que pode limitar a aplicação da medicina de precisão em países com grande diversidade genética, como o Brasil.
A iniciativa busca justamente preencher essa lacuna, gerando dados que reflitam a realidade genética da população brasileira.
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Base científica para tratamentos mais personalizados
Segundo os pesquisadores envolvidos, o projeto pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, escolhas terapêuticas mais adequadas e maior equidade no tratamento do câncer.
Além de apoiar pesquisas científicas, o banco de dados também pode ajudar a identificar marcadores moleculares específicos de tumores frequentes no país, permitindo o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais direcionadas.
De acordo com o diretor-geral do INCA, a iniciativa responde a uma necessidade histórica da pesquisa oncológica nacional. Para ele, o Atlas Tumoral representa não apenas um avanço científico, mas também uma ferramenta estratégica para fortalecer a medicina de precisão no SUS, ampliando a capacidade do sistema público de oferecer tratamentos mais personalizados e eficazes para pacientes com câncer.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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