A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou um conjunto de medidas para enfrentar irregularidades na importação e manipulação de medicamentos injetáveis de GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A iniciativa busca ampliar a segurança dos pacientes diante do crescimento desordenado desse mercado no país.
Entre os principais pontos estão a revisão de normas, intensificação da fiscalização e articulação com órgãos nacionais e internacionais. A decisão ocorre após identificação de falhas relevantes na cadeia de produção e distribuição desses produtos.
Saiba mais: Anvisa emite alerta sobre riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras
Crescimento desproporcional e riscos sanitários
Dados da Anvisa apontam inconsistências entre a importação de insumos e a demanda real. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 kg de substâncias, volume suficiente para cerca de 20 milhões de doses.
Em 2026, fiscalizações resultaram em 11 inspeções e 8 interdições de estabelecimentos por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade. Entre os principais riscos identificados estão:
- Produção sem previsão de demanda
- Problemas de esterilização
- Falhas no controle de qualidade
- Uso de insumos sem origem comprovada
Desde janeiro, a Agência já determinou ao menos 10 medidas de proibição envolvendo produtos irregulares com princípios ativos como semaglutida e tirzepatida.
Leia ainda: Canetas para obesidade: o que ainda não sabemos e o que esperar da próxima década
Eixos do plano de ação
A estratégia da Anvisa está organizada em seis frentes principais:
Eixo 1 – Aprimoramento regulatório
- Revisão de normas sobre importação e manipulação de insumos
- Atualização da RDC 67/2007 sobre boas práticas em farmácias
Eixo 2 – Monitoramento e fiscalização
- Intensificação de inspeções em farmácias, clínicas e importadoras
- Busca ativa de eventos adversos em serviços de saúde
- Reforço no controle da importação de insumos
Eixo 3 – Articulação institucional
- Criação de grupo de trabalho com entidades médicas
- Integração com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária
- Cooperação com agências internacionais
Regulação e novos registros
A Anvisa também informou que há oito pedidos em análise para medicamentos à base de semaglutida, além de outros nove aguardando início de avaliação. Apesar do vencimento da patente no Brasil, a comercialização segue condicionada à comprovação de segurança, eficácia e qualidade.
Eixos 4, 5 e 6 complementam o plano:
- Prioridade na análise de registros e alinhamento com padrões internacionais
- Comunicação clara à população sobre riscos e uso adequado
- Criação de grupo interno para monitoramento contínuo
Com as medidas, a Agência busca conter irregularidades e garantir que o avanço no uso desses medicamentos ocorra com segurança e respaldo científico.
Leia também: Anvisa aprova versão multidose do Mounjaro para diabetes tipo 2
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.