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Ortopedia2 novembro 2026

Metanálise aponta fatores de infecção periprotética

Dados observacionais sobre infecção periprotética após artroplastia de joelho detalham associações clínicas e perioperatórias relevantes.
Por Rafael Erthal

A infecção periprotética após artroplastia total do joelho é uma complicação grave que compromete os resultados e aumenta os custos do tratamento. Reconhecer características associadas ao seu desenvolvimento pode contribuir para a estratificação de risco e o planejamento perioperatório.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 no Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery atualizou as evidências sobre fatores associados à infecção periprotética após artroplastia total do joelho, reunindo variáveis demográficas, comorbidades e fatores perioperatórios.

A revisão sistemática reúne estudos observacionais

Os autores realizaram buscas em nove bases de dados até 26 de maio de 2025. Foram incluídos estudos observacionais com adultos submetidos à artroplastia total primária do joelho e que avaliaram a infecção periprotética como desfecho.

A revisão incluiu 25 estudos na síntese qualitativa, dos quais 24 contribuíram para a análise quantitativa principal. Os estudos relataram 4.117 casos de infecção periprotética. A maioria tinha desenho caso-controle, e 84% foram classificados como de qualidade moderada a alta pela escala de Newcastle-Ottawa.

As estimativas foram combinadas quando havia definições de exposição comparáveis e informações adequadas sobre os controles. Os autores priorizaram odds ratios ajustados, quando disponíveis, e utilizaram modelos de efeito fixo ou aleatório conforme a heterogeneidade.

 

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Quais comorbidades se associam à infecção periprotética?

O sexo masculino esteve associado à infecção periprotética, com OR de 1,39 (IC95% 1,27–1,51), e o tabagismo apresentou OR de 1,65 (IC95% 1,34–2,04).

Diabetes mellitus tipo 2, avaliado em 15 estudos, apresentou OR de 2,09 (IC95% 1,45–3,01), com heterogeneidade elevada. A artrite reumatoide também se associou ao desfecho, com OR de 2,64 (IC95% 1,38–5,02).

IMC igual ou superior a 30 kg/m² foi associado à infecção periprotética, com OR de 5,72 (IC95% 2,65–12,36). A doença pulmonar concomitante apresentou OR de 5,54 (IC95% 1,93–15,96), enquanto o histórico de terapia hormonal apresentou OR de 4,88 (IC95% 2,90–8,22).

A anemia pré-operatória mostrou associação com OR de 1,82 (IC95% 1,67–1,99). A idade não pôde ser combinada quantitativamente devido aos diferentes pontos de corte e aos resultados inconsistentes.

 

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Fatores perioperatórios ligados ao risco de infecção

A transfusão sanguínea perioperatória esteve associada à infecção periprotética, com OR de 2,27 (IC95% 1,59–3,25). A perda sanguínea intraoperatória superior a 200 mL também apresentou associação, com OR de 1,51 (IC95% 1,03–2,22).

A duração do procedimento foi analisada com diferentes pontos de corte. Tempo operatório superior a 90 minutos apresentou OR de 3,73 (IC95% 1,54–9,04), enquanto tempo igual ou superior a três horas apresentou OR de 2,39 (IC95% 1,62–3,52). Para o ponto de corte de duas horas, a associação não atingiu significância estatística.

Escore ASA igual ou superior a 3 apresentou OR de 2,73 (IC95% 1,02–7,32). A permanência do dreno pós-operatório por pelo menos 24 horas apresentou OR de 2,23 (IC95% 1,50–3,32), mas os autores ressaltam a possibilidade de ambiguidade temporal e causalidade reversa.

A infecção urinária pós-operatória também se associou ao desfecho, com OR de 3,59 (IC95% 1,15–11,21), embora a sequência temporal entre os eventos não pudesse ser confirmada em todos os estudos retrospectivos.

 

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Associações observacionais limitam conclusões causais

A maior parte dos estudos incluídos foi retrospectiva e observacional. Houve diferenças nos critérios diagnósticos de infecção periprotética, no seguimento, nos pontos de corte para idade e IMC e nas estratégias perioperatórias.

Muitos estudos forneceram estimativas não ajustadas ou ajustadas para diferentes fatores de confusão. Em algumas análises, a significância variou após a retirada de estudos individuais ou com a mudança do modelo estatístico.

Por isso, as estimativas combinadas devem ser interpretadas como associações, e não como efeitos causais definitivos.

Na prática clínica, a revisão organiza fatores que podem ser considerados antes, durante e após a artroplastia total do joelho. Diabetes tipo 2, obesidade, tabagismo, anemia pré-operatória, transfusão, maior perda sanguínea e tempo cirúrgico prolongado estão entre as variáveis associadas à infecção periprotética.

Os resultados podem apoiar uma avaliação perioperatória mais estruturada, mas não justificam interpretar cada fator como causa direta da infecção. A heterogeneidade entre os estudos e o predomínio de dados retrospectivos limitam a generalização.

A metanálise ajuda a reconhecer pacientes e situações com maior associação com infecção periprotética e reforça a necessidade de estudos prospectivos com definições diagnósticas padronizadas e estimativas ajustadas.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteudista do Whitebook desde 2017, Rafael possui graduação em Medicina pela UFF e residência em Ortopedia e Traumatologia pelo INTO. É especialista em cirurgia de joelho.

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