Levantamento do Instituto Oncoguia mostrou que medicamentos oncológicos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) não têm chegado aos pacientes por discrepâncias entre os valores repassados pelo Ministério da Saúde e o custo dos remédios.
De acordo com o instituto, alguns atrasos se dão há anos. O erlotinibe e o gefinitibe, ambos aprovados para o tratamento de câncer de pulmão avançado, estão próximos de completar uma década sem que a sua incorporação ao SUS seja efetivada.
Sunitinibe e pazopanibe para tratamento de câncer de rim, brentuximabe vedotina para linfoma de Hodgkin, e abiraterona para câncer próstata estão há mais de quatro anos excluídas dentre as opções de tratamento disponíveis no SUS. A lista ainda possui outros medicamentos para tratamento de melanoma, como câncer de pulmão, de mama e leucemia com atrasos de quase dois anos.
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Barreiras para distribuição dos medicamentos
O custo é um dos fatores que impede que esses medicamentos cheguem a quem precisa. O valor real do medicamento, em alguns casos chega a quase 380% superior ao valor repassado pelo Ministério da Saúde, o que inviabiliza a compra.
Ainda segundo a ONG, outro aspecto que agrava o cenário, é que ao contrário de outras doenças, para as quais o Ministério realiza a compra do medicamento e repassa às secretarias de saúde, no caso de cânceres, as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) é que realizam a compra e recebem do Ministério um valor para cobrir o custo mensal por paciente através de uma APAC (Autorização de Procedimento de Alta Complexidade).
Contudo, esse valor mensal não cobre o custo real de determinados medicamentos, que acabam ficando de fora do tratamento oferecido por esses centros.
Resolução do problema
Em resposta a uma Ação Civil Pública tramitando na 2° Vara Federal de Porto Alegre o Ministério da Saúde apresentou ao Tribunal Regional Federal da 4ª região algumas providências que têm tomado em relação a essa questão.
O foco das ações da pasta ministerial gira em torno de uma nova análise dos medicamentos e seus custos e da criação de APACs específicas para cada medicamento, essas cobririam totalmente o custo, contudo a alternativa depende não só das análises e processos burocráticos do ministério como também da disponibilidade orçamentária para cobrir os gastos.
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Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal
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