O câncer de próstata (CaP) é a neoplasia mais comum no homem quando se exclui os tumores de pele. Entre os homens vivos hoje, 1 a cada 7 serão diagnosticados com a doença e 1 a cada 38 (2,6%) morrerão devido ao câncer de próstata.
O uso do PSA como um dos principais marcadores para rastreio e diagnóstico precoce da doença fez com que a mortalidade do CaP diminuísse substancialmente, com as taxas de sobrevida em 5 anos ultrapassando os 80%.
Com o aumento da expectativa de vida do homem, o CaP tem importante lugar nas políticas de saúde, uma vez que a incidência da doença aumenta proporcionalmente com a idade do paciente. Nesse sentido, discussões importantes têm tentado responder o melhor momento para se tentar diagnosticar o câncer de próstata.
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Muitas controvérsias foram observadas nos estudos de rastreio para o CaP. O rastreio significa um exame sistemático de todos os homens assintomáticos para diagnostico da neoplasia. Alterações nesses exames levariam a realização da biópsia prostática para selar o diagnóstico.
O rastreio está associado a uma maior taxa de diagnóstico do CaP, assim como uma maior taxa de CaP mais localizado e menos avançado. No entanto, os mesmos estudos mostraram que não houve benefício na sobrevida câncer de próstata específica.
Sendo assim faz-se necessária uma abordagem individualizada para cada paciente adaptada ao risco do mesmo desenvolver a doença.
Entendemos por pacientes de alto risco aqueles com história familiar positiva (parentes de primeiro grau com o diagnóstico de CaP) e ou de raça negra.
De acordo com Associação Urológica Americana (AUA) temos as seguintes orientações:
- Não se recomenda o rastreio com PSA quando a idade for inferior aos 40 anos;
- Em pacientes com idade entre 40 e 54 anos, apenas os de alto risco para o desenvolvimento da doença devem ser testados com PSA;
- Em pacientes com idade entre 55 e 69, recomenda-se fortemente uma decisão compartilhada com o paciente para solicitação do PSA. Nessa faixa etária é onde encontramos o melhor benefício para o rastreio;
- Inicialmente o rastreio deve ser feito a cada dois anos e não anualmente como de rotina. Acredita-se que o maior intervalo preserve os benefícios do rastreio anual e ainda diminui o número de falsos positivos;
- Não se deve oferecer o rastreio para homens com mais de 70 anos ou qualquer outro homem com expectativa de vida abaixo de 10 a 15 anos. No entanto, para os pacientes com mais de 70 anos em excelentes condições de saúde, pode haver benefício em rastrear a doença;
- Para esse último grupo o valor do PSA para ser indicado a biópsia deve ser maior que 10ng/ml e quando este PSA estiver menor que 3ng/ml o rastreio deve ser encerrado;
- Todos os homens que desejam ser rastreador devem ser orientados sobre os riscos e benefícios de acordo com sua faixa etária, história familiar e raça, porém, se for desejo do paciente realizar o rastreio, este deve ser oferecido de qualquer forma.
Vale lembrar que o exame físico da próstata realizado com o toque retal também deve ser oferecido ao paciente e as alterações encontradas devem ser avaliadas pelo especialista que pode, independentemente dos valores de PSA, solicitar de imediato a biópsia prostática.
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