Infecções do trato urinário (ITU) são frequentes na comunidade e seu manejo vêm tornando-se cada vez mais desafiador devido ao aumento no número de casos por agentes com resistência antimicrobiana.
Em casos de ITU complicada ou pielonefrite aguda, em que há necessidade de concentração adequada de antimicrobiano no tecido do parênquima renal e no sangue, as possibilidades terapêuticas são ainda mais restritas, frequentemente ficando limitadas a formulações parenterais.
O Tebipenem é um antimicrobiano em investigação da classe dos carbapenêmicos com atividade contra Enterobacterales resistentes, incluindo os produtores de ESBL. Diferente de outros carbapenêmicos, o Tebipenem tem apresentação oral, o que o torna um candidato atraente para tratamento.
Os resultados de um estudo avaliando a eficácia e segurança do tebipenem para o tratamento de ITU complicada e pielonefrite aguda foram publicados na Open Forum Infectious Diseases.

Como foi conduzido o estudo PIVOT-PO
O estudo PIVOT-PO foi um estudo de não-inferioridade, multicêntrico de fase 3, duplo-cego e randomizado, comparando a eficácia e a segurança de Tebipenem VO com Imipenem-cilastina IV, em que adultos hospitalizados com diagnóstico de ITU complicada ou pielonefrite aguda foram randomizados na proporção 1:1 para receber Tebipenem VO + placebo IV ou Imipeném-cilastina IV + placebo VO, por 7 a 10 dias.
O desfecho primário foi resposta global no dia 17, um desfecho combinado de cura clínica – definida como resolução completa ou melhora significativa dos sinais e sintomas presentes na inclusão e sem novos sintomas – e erradicação microbiológica – redução da carga bacteriana para < 10³ UFC/mL e negativação de hemoculturas, se houvesse uma hemocultura positiva no momento da inclusão.
Resultados
Na análise por intenção de tratamento com comprovação microbiológica, foram incluídos 929 participantes, sendo 446, no grupo de Tebipenem VO e 483, no grupo de Imipeném IV. Os grupos eram semelhantes em características clínicas, sociodemográficas e microbiológicas, além na proporção de presença de bacteremia.
A resposta global foi de 58,5% (261/446) no grupo de Tebipenem VO e de 60,25 (291/483) no grupo de Imipeném IV, o que representa uma diferença ajustada de -1,3% (IC 95% = -7,5% a 4,8%), dentro da margem de não-inferioridade de 10% definida pelo estudo. Os resultados foram semelhantes entre os participantes com isolamento de organismos produtores de ESBL.
O perfil de segurança também foi semelhante entre os grupos, com diarreia e cefaleia sendo os dois eventos adversos mais frequentemente relatados. Eventos adversos graves foram raros em ambos os grupos. Houve 2 óbitos relatados em cada grupo, mas nenhum caso foi considerado como associado aos medicamentos em estudo.
O estudo foi interrompido precocemente, após análise interina quando aproximadamente 60% dos participantes alcançaram o momento de análise do desfecho primário, por ter alcançado os critérios de não-inferioridade de eficácia.
Autoria

Isabel Cristina Melo Mendes
Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro
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