O manejo dos sintomas da menopausa ganhou nova referência com a Clinical Practice Guideline nº 13 do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), que substitui o Practice Bulletin nº 141, de janeiro de 2014, e trata de sintomas vasomotores (SVM), do sono e de humor na transição menopáusica e na menopausa espontânea ou induzida a partir dos 40 anos. Fogachos, sudorese noturna, distúrbio do sono e sintomas depressivos ou ansiosos estão entre as queixas mais relatadas e se associam a pior qualidade de vida.
A fisiopatologia dos SVM (principalmente os fogachos e sudorese noturna) envolve o estreitamento da zona termorreguladora hipotalâmica e a hiperativação dos neurônios KNDy (kisspeptina, neurocinina B e dinorfina), impulsionada pela queda estrogênica. No estudo SWAN, fogachos mostraram associação bidirecional com distúrbio do sono e alterações do humor. A diretriz excluiu insuficiência ovariana prematura (abaixo dos 40 anos), síndrome geniturinária da menopausa e osteoporose, abordadas em documentos específicos.
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Como a diretriz da ACOG classificou força e evidência?
A busca bibliográfica abrangeu MEDLINE, Cochrane e diretrizes, com estudos em inglês de 2013 a março de 2024, atualizada em julho de 2025 e março de 2026. Incluíram-se ensaios randomizados, revisões sistemáticas e metanálises, com exclusão de estudos observacionais, em países de desenvolvimento humano muito alto. Aplicou-se um GRADE modificado: a recomendação é forte (recomenda-se) ou condicional (sugere-se), e a qualidade da evidência vai de alta a muito baixa. Pontos de Boa Prática, sem graduação, cobrem lacunas de evidência.
Indicar a terapia hormonal da menopausa na janela de oportunidade
Recomenda-se terapia hormonal sistêmica (THM) com estrogênio e progestogênio, em mulheres com útero, ou estrogênio isolado, quando não há necessidade de proteção endometrial, para fogachos e para o distúrbio do sono vasomotor, em quem não tem contraindicação (recomendação forte, evidência de qualidade moderada). Metanálise de ensaios mostrou menor frequência de fogachos frente ao placebo (RR 0,43; IC 95% 0,33–0,57). Para o sono, a terapia melhorou a qualidade autorrelatada, mas não os parâmetros objetivos da polissonografia.
Quando se deseja evitar possíveis efeitos colaterais associados aos progestogênios, como sangramento vaginal não programado ou mastalgia, sugere-se estrogênios conjugados com bazedoxifeno como alternativa ao esquema combinado (recomendação condicional, evidência de qualidade baixa a moderada). O bazedoxifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM), e atua bloqueando a estimulação estrogênica no endométrio e no tecido mamário. Quando combinado a estrogênios conjugados, alivia os sintomas vasomotores e do sono enquanto protege o endométrio e as mamas.
Recomenda-se iniciar antes dos 60 anos ou até 10 anos do início da menopausa natural (recomendação forte, evidência de qualidade baixa a moderada), pois depois disso o risco basal de tromboembolismo venoso (TEV), acidente vascular cerebral (AVC) e doença coronariana aumenta. Na reavaliação clínica, a eficácia e a tolerabilidade devem ser checadas aos 3 meses e, posteriormente, a cada 12 meses. Sangramentos não programados ou persistentes após 6 meses de THM exigem investigação endometrial (Ponto de Boa Prática).
Nos dados do WHI, o esquema combinado associou-se a cinco casos adicionais de AVC, dez de TEV e cinco de câncer de mama invasivo por 1.000 mulheres; o estrogênio isolado não elevou o risco de câncer de mama, mas somou oito casos de AVC e cinco de TEV por 1.000. A diretriz pondera que cerca de dois terços das participantes tinham 60 anos ou mais e que só estrogênio equino conjugado oral foi avaliado.
Não há evidência suficiente a favor ou contra a terapia hormonal nos sintomas depressivos (Ponto de Boa Prática); quadros de transtorno depressivo maior seguem as diretrizes de depressão.
Se houver contraindicação, alternativas não hormonais e comportamentais entram no cuidado
Recomendam-se ISRS ou IRSN para sintomas vasomotores e depressivos em quem não deseja ou não pode usar hormônios (recomendação forte, evidência de qualidade moderada a alta), evitando fluoxetina e paroxetina com tamoxifeno devido à inibição do CYP2D6.
Os antagonistas do receptor de neurocinina, fezolinetante e elinzanetante, também têm recomendação forte para fogachos e distúrbio do sono vasomotor (qualidade moderada a alta). Ambos exigem monitoramento hepático: o fezolinetante requer transaminases no basal e mensalmente nos primeiros 3 meses, e depois aos 6 e 9 meses; o elinzanetante requer avaliação basal e aos 3 meses.
A gabapentina (300 a 900 mg/dia) é sugerida como opção de segunda linha quando as demais alternativas forem ineficazes ou mal toleradas (recomendação condicional, evidência de qualidade moderada). Clonidina não é recomendada como primeira linha.
Entre as abordagens não farmacológicas, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é sugerida para SVM, sono e humor (recomendação condicional, evidência baixa a moderada). Intervenções baseadas em mindfulness e exercício físico são sugeridas especificamente para melhora do sono e do humor (evidência baixa a moderada). Hipnose clínica e acupuntura são opções condicionais com evidência de baixa qualidade. Produtos naturais e fitoestrógenos não possuem evidência de eficácia ou segurança que fundamente sua recomendação.
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Risco de tromboembolismo venoso e de câncer de mama pesa na decisão compartilhada
No ambulatório, a conduta nos sintomas da menopausa começa pela avaliação individual de sintomas, idade, tempo desde a menopausa e risco de doença cardiovascular, câncer de mama e TEV, com decisão compartilhada. Sem contraindicação e dentro da janela de início, a terapia hormonal da menopausa é a opção recomendada para fogachos e distúrbio do sono vasomotor; a via transdérmica merece consideração quando há preocupação com TEV. Diante de contraindicação ou preferência por outra estratégia, ISRS, IRSN ou antagonistas de neurocinina são alternativas, com atenção à função hepática e à interação com tamoxifeno. A necessidade de contracepção deve ser avaliada até os 55 anos.
A confiança nas evidências tem limites: há heterogeneidade entre estudos, não existe seguimento além de 2 anos para estrogênios conjugados com bazedoxifeno, e a inclusão se restringiu a países de desenvolvimento humano muito alto, o que pode limitar a generalização. Em síntese, a diretriz mantém a terapia hormonal da menopausa como base do tratamento dos sintomas da menopausa e organiza as demais opções por grau de recomendação, sempre com decisão compartilhada.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.
Autoria

Roberta Furtado Stivanin Rachid Novais
Conteudista médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade Souza Marques, com residência médica em Medicina de Família pela Universidade Federal Fluminense e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela SOGIMA-RJ, Mestre em Saúde Materno Infantil pela UFF e Doutoranda em Ciências Médicas pela UFF. Além da atuação na Afya, é professora de Obstetrícia na UFF.
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