A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional do trato gastrointestinal (TGI) caracterizado por dor abdominal, associada a alteração da frequência ou consistência das fezes, afetando cerca de 5% da população mundial. Os probióticos são promissores no tratamento da SII, todavia as evidências científicas ainda são limitadas, necessitando de maiores estudos para definir as melhores cepas a serem utilizadas, de acordo com o sintoma predominante do paciente.
A fisiopatologia da SII é multifatorial e ainda não é completamente conhecida. Sabe-se que é um transtorno do eixo cérebro-intestino e que alterações da microbiota intestinal podem estar relacionadas com o desenvolvimento da síndrome, o que é bem demonstrado, principalmente, na SII pós infecciosa.
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Métodos
Trata-se de uma atualização de revisão sistemática prévia, com metanálise, avaliando a eficácia dos probióticos na SII, utilizando ensaios clínicos controlados publicados nas bases de dados MEDLINE, EMBASE e Cochrane entre 2017 e 2023, além de pesquisa em anais de Gastroenterologia e busca recursiva utilizando as referências bibliográficas dos artigos elegíveis.
Critérios de inclusão: Ensaios clínicos randomizados avaliando a eficácia de um ou mais probióticos utilizados por, pelo menos, sete dias, em comparação com placebo, numa população acima dos 16 anos com SII.
Desfecho primário: Eficácia dos probióticos em relação aos sintomas globais da SII, dor abdominal ou bloating.
Desfechos secundários: Efeitos dos probióticos nos escores de sintomas da SII e número de eventos adversos relatados.
Resultados
De 82 estudos elegíveis, apenas 24 estavam sob baixo risco de vieses. A tabela a seguir demonstra as principais cepas com benefício a depender dos sintomas.
Sintomas globais | Moderada evidência: cepas de Escherichia
Baixa evidência: cepas de Lactobacillus e L. plantarum Muito baixa evidência: Probióticos combinados (LacClean Gold S, Duolac 7s) e Bacillus |
Dor abdominal | Baixa evidência: Saccharomyces
cerevisae I-3856 e cepas de Bifidobacterium Muito baixa evidência: probióticos combinados, cepas de Lactobacillus, Saccharomyces e Bacillus. |
“Bloating” | Muito baixa evidência: combinação de probióticos e cepas de Bacillus |
Não houve aumento significativo do risco relativo de eventos adversos nos grupos recebendo probiótico.
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Mensagens práticas
Apesar de promissor, ainda não há evidências que sustentem a recomendação de probióticos na SII, portanto, devemos individualizar caso a caso, considerando, principalmente, o custo-benefício desse tratamento.
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