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Cardiologia22 janeiro 2025

Teste de type Publicação nas Homes de Especialidade (cardiologia)

Por Marcelo Maekawa

Introdução

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o fator de risco mais significativo e modificável para o seu desenvolvimento. A gestão eficaz da HAS é determinante na redução da incidência de AVC isquêmico e hemorrágico. Este artigo explora os potenciais preventivos dos bloqueadores dos canais de cálcio (BCCs) na redução do AVC em pacientes hipertensos.

Fisiopatologia da hipertensão e do AVC

A hipertensão contribui para o AVC por diversos mecanismos, incluindo a promoção da aterosclerose, aumento da rigidez arterial e indução de doenças de pequenos vasos. A pressão arterial elevada crônica danifica o revestimento endotelial dos vasos sanguíneos, levando à formação de placas ateroscleróticas que podem obstruir as artérias cerebrais ou se desprender para causar eventos embólicos. Além disso, a hipertensão está associada à ruptura de microaneurismas em pequenas artérias cerebrais, resultando em AVC hemorrágico.1

Ação dos bloqueadores dos canais de cálcio

Ao promover a inibição da entrada de íons cálcio pelos canais de cálcio do tipo L nas células musculares lisas vasculares, levando à vasodilatação e à diminuição da resistência periférica, os BCCs reduzem a pressão arterial. São divididos em dois subgrupos: diidropiridinas (como anlodipino e nifedipino) e não-diidropiridinas (como verapamil e diltiazem). As diidropiridinas são geralmente preferidas para o tratamento da hipertensão devido à sua maior seletividade para os vasos sanguíneos, resultando em menos efeitos adversos cardíacos.2

BCCs na prevenção de AVC

Uma meta-análise abrangente avaliou os efeitos dos betabloqueadores do canal do cálcio na prevenção de AVC em pacientes hipertensos.2 O estudo examinou dados de 31 ensaios clínicos randomizados com 273.543 participantes, com resultados significativos sobre a redução de incidência de AVC em comparação ao placebo (OR = 0,68, IC 95% 0,61-0,75), betabloqueadores combinados com diuréticos (OR = 0,89, IC 95% 0,83-0,95) e betabloqueadores isolados (OR = 0,79, IC 95% 0,72-0,87). No entanto, não foi observada diferença significativa ao comparar os BCCs com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou diuréticos.2

A revisão da Cochrane comparou a eficácia e a segurança dos BCCs com outros medicamentos anti-hipertensivos, concluindo que os BCCs foram mais eficazes do que os betabloqueadores no que tange o risco de AVC e a mortalidade cardiovascular.3 No entanto, ao serem comparados com os diuréticos (IECAs ou bloqueadores dos receptores de angiotensina II), os BCCs apresentaram aumento do risco de insuficiência cardíaca congestiva.Por essa razão, os BCCs devem ser usados com cautela na população de pacientes com insuficiência cardíaca.

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