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Após abordarmos causas não patológicas de alterações no ST, neste artigo discutiremos outras causas de elevação de ST, agora associadas a condições orgânicas, porém não IAM.
Bloqueio de Ramo Esquerdo
Esta é uma das condições de mais difícil diagnóstico diferencial, devido à variabilidade do QRS no BRE, que pode estar elevado ou mesmo com infra secundária, simulando ou mascarando o ST isquêmico.
Quando a elevação de ST no BRE é concordante com a polaridade do QRS no ECG, a maior chance é de que se trate de um IAM.
Mais um detalhe a se atentar é que, em V1-V3, o QRS geralmente tem voltagem negativa, ou seja, um IAMCSST nesta topografia, de parede anterosseptal, não poderia então ser diagnosticado por concordância de QRS e ST. Nesta situação, o maior guia é a morfologia do ST: se convexo, as chances de estarmos diante de um IAM aumentam.
Pericardite Aguda
O ECG de pacientes com pericardite aguda apresenta elevação de ST em praticamente todas as derivações, sem respeitar território coronariano. Além disso, costuma apresentar o segmento PR discretamente com infra.
Hipercalemia
É uma das causas mais bem estabelecidas de elevação de ST não-IAM. Além desta alteração, pode vir acompanhada de outros estigmas típicos, como:
- QRS alargado
- Ondas T altas, pontiagudas, em forma de tenda
- Ondas P ausentes ou de baixa amplitude
Síndrome de Brugada
Condição genética responsável por 40-60% dos casos de morte súbita por fibrilação ventricular idiopática. Uma mutação no canal sódio-cálcio causa alteração no potencial de ação do epicárdio ventricular direito, originando um gradiente de voltagem responsável pela elevação de ST e pelo trigger da FV.
Leia mais: Você sabe identificar a síndrome de brugada?
Em geral, se apresenta como padrão de bloqueio de ramo direito, completo ou incompleto, usualmente associado a elevação de ST principalmente em V1 e V2, com padrão de QRS como rSR’ e ST que começa a ser distinguido do topo da onda R’, com tendência descendente e terminando com onda T invertida.
Embolia Pulmonar
Pode contar com estigmas característicos em topografias distintas:
- Derivações precordiais: inversão de onda T
- Derivações anterosseptais + inferiores: inversão de onda T + elevação de ST Além disso,:
- Padrão S1Q3T3
- Bloqueio de ramo direito completo ou incompleto
- Taquicardia sinusal
Cardioversão Elétrica
O segmento ST pode permanecer brevemente elevado após a CVE, sem repercussões hemodinâmicas ou alterações enzimáticas. Há uma relação de que o fenômeno é mais comum em pacientes com fração de ejeção reduzida em comparação com os que não apresentam elevação de ST, bem como menor taxa de sucesso na cardioversão completa e menor tendência a manter-se em ritmo sinusal.
Angina de Prinzmetal
Quando há oclusão coronariana decorrente de vasoespasmo, resultando em isquemia, ainda que breve, o segmento ST pode elevar-se. Esta é a condição tida por Angina de Prinzmetal. Em geral, o espasmo é resolvido brevemente, com retorno de ST à linha de base. Entretanto, caso o vasoespasmo persista, a evolução é para IAM.
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Referências:
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