Mulheres em idade fértil com doenças reumáticas precisam manter o controle adequado da atividade inflamatória antes, durante e após a gestação. A doença ativa está associada à redução da fertilidade e ao aumento do risco de complicações gestacionais, como parto prematuro, aborto e baixo peso ao nascer. Por isso, o planejamento reprodutivo e a escolha do tratamento devem ser definidos por meio de uma decisão compartilhada entre a paciente, o reumatologista e a equipe obstétrica.
O certolizumabe pegol é um fragmento Fab peguilado que não possui região Fc. Essa característica impede sua ligação ao receptor Fc neonatal, envolvido no transporte placentário ativo de imunoglobulinas, especialmente durante o segundo e o terceiro trimestres da gestação.
No estudo farmacocinético CRIB, a transferência placentária foi mínima ou inexistente: dos 14 bebês avaliados, 13 não apresentaram níveis quantificáveis do medicamento ao nascimento. O único nível mensurável foi considerado clinicamente irrelevante. Durante a lactação, o estudo CRADLE identificou transferência mínima ou ausente do medicamento para o leite materno.
Diretrizes internacionais respaldam a manutenção do tratamento durante a gestação, quando necessária para controlar a atividade da doença reumática. Dados de farmacovigilância também não evidenciaram padrões de malformações fetais associados ao medicamento.
O acompanhamento deve considerar o risco de infecções, a atividade da doença e as necessidades individuais da paciente. Obstetras, ginecologistas, especialistas em medicina materno-fetal e reumatologistas devem atuar de forma coordenada no planejamento da gravidez, durante a gestação e no pós-parto.
Autoria
Thiago Ferreira
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