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Endocrinologia23 junho 2026

PCDT da Osteoporose do SUS: diagnóstico, estratificação de risco e tratamento

Entenda como o protocolo do SUS organiza a avaliação da osteoporose, define pacientes de muito alto risco e orienta o uso do romosozumabe.
Por Ícaro Sampaio

A osteoporose representa um dos principais desafios relacionados ao envelhecimento populacional e ao risco de fraturas por fragilidade.¹ No Sistema Único de Saúde (SUS), o manejo adequado desses pacientes depende não apenas do diagnóstico da perda de massa óssea, mas também da correta estratificação do risco de fraturas e da definição do tratamento mais adequado para cada perfil clínico.¹

Nesse contexto, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da osteoporose estabelece critérios objetivos para diagnóstico, avaliação de gravidade e escalonamento terapêutico dentro do SUS.¹ Mais do que padronizar condutas, o protocolo busca direcionar recursos terapêuticos de forma mais eficiente, especialmente em pacientes com risco muito alto de fratura.¹

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Como o protocolo da osteoporose no SUS define o diagnóstico

Segundo o PCDT, a osteoporose pode ser diagnosticada de duas formas: densitometria óssea com T-score ≤ -2,5 ou presença de fraturas por fragilidade, independentemente da densidade mineral óssea.¹

Além disso, o protocolo incorpora o uso do FRAX®, ferramenta validada internacionalmente para cálculo do risco de fraturas osteoporóticas maiores e de quadril em 10 anos.¹ O algoritmo considera fatores clínicos como idade, índice de massa corporal, histórico de fraturas, tabagismo, uso de glicocorticoides, artrite reumatoide e osteoporose secundária, podendo também incluir a densidade mineral óssea do colo do fêmur.¹ Essa abordagem amplia a capacidade de identificar pacientes de maior risco mesmo em casos de osteopenia.¹

Leia mais: Como o diabetes modifica a avaliação diagnóstica da osteoporose 

A importância da estratificação de risco na osteoporose

Um dos principais diferenciais do protocolo é a valorização da estratificação de risco como etapa obrigatória da condução clínica.¹ O objetivo é evitar que pacientes graves sejam subtratados por apresentarem apenas alterações discretas na densitometria.¹

Nesse cenário, a radiografia simples da coluna assume papel fundamental.¹˒² O exame pode identificar fraturas vertebrais silenciosas, frequentemente subdiagnosticadas, mas associadas a aumento expressivo do risco de novas fraturas.¹˒²

Por ser acessível, disponível no SUS e de baixo custo, o raio-X de coluna passa a ter valor decisivo na identificação da gravidade da doença e na escolha terapêutica.¹˒²

Como funciona a árvore de decisão terapêutica no SUS

O PCDT organiza o tratamento da osteoporose em etapas progressivas.¹ Inicialmente, todos os pacientes devem receber medidas não farmacológicas, como atividade física, prevenção de quedas, cessação do tabagismo, redução do consumo excessivo de álcool e suplementação de cálcio e vitamina D.¹

Quando há necessidade de terapia medicamentosa, os bisfosfonatos orais — especialmente alendronato e risedronato — permanecem como primeira linha de tratamento devido à eficácia clínica e ao custo acessível.¹ Pacientes com intolerância gastrointestinal ou dificuldade de deglutição podem utilizar bisfosfonatos endovenosos.¹

Quem são os pacientes de muito alto risco?

O protocolo define como pacientes de muito alto risco aqueles que apresentam um ou mais dos seguintes critérios: fraturas nos últimos 12 meses, múltiplas fraturas, fraturas durante o tratamento, T-score abaixo de -3,0, risco muito alto calculado pelo FRAX® ou risco aumentado de quedas.¹

Esses pacientes geralmente apresentam risco persistente de novas fraturas mesmo com terapia antirreabsortiva convencional.¹˒³˒⁵

Quando o romosozumabe é indicado no SUS

Nos casos de osteoporose grave com falha terapêutica, o PCDT prevê o uso do romosozumabe, terapia anabólica recentemente incorporada ao SUS.¹ O medicamento atua bloqueando a esclerostina, promovendo simultaneamente aumento da formação óssea e redução da reabsorção óssea.⁷

Segundo o protocolo, o tratamento é indicado para mulheres com osteoporose grave e falha terapêutica, sendo limitado a 12 meses.¹ Após esse período, deve-se realizar terapia antirreabsortiva para manutenção dos ganhos obtidos.¹˒⁴˒⁶

A incorporação do romosozumabe reforça a importância da correta estratificação de risco e da identificação precoce de pacientes com maior probabilidade de novas fraturas.¹˒³

Assista ao mapa mental completo 🎧 Este conteúdo faz parte do nosso mapa mental sobre o protocolo da osteoporose no SUS. Assista ao vídeo completo e entenda como aplicar a estratificação de risco e a árvore de decisão terapêutica na prática clínica.

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

  • Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
  • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
  • Médico endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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