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Ortopedia21 janeiro 2025

Qual é o método mais eficaz de ajuste do torniquete para fraturas em membros?

O uso de torniquete é essencial em grande parte das cirurgias ortopédicas, mas não é isento de complicações. O uso por tempo prolongado com uma pressão exagerada pode levar a maior chance de lesão muscular ou praxia nervosa, equimose, eventos tromboembólicos, dentre outros.  

Da mesma maneira, uma pressão insuficiente torna o campo cirúrgico de mais difícil visualização para o cirurgião, podendo levar a lesões iatrogênicas pela baixa visibilidade. 

A pressão colocada no torniquete em adultos pode ser uniforme (padrão), sendo geralmente em torno de 250mmHg para membros superiores e 350mmHg para membros inferiores ou pode ser personalizada para cada caso sendo 70-130 mmHg acima da pressão sistólica para membros inferiores ou 50-100 mmHg acima da pressão sistólica para membros superiores.  

Na prática, cada cirurgião acaba adotando a sua maneira de colocação e ajuste do torniquete, e não há consenso se uma das posturas adotadas (uniforme ou personalizada) tem vantagem sobre a outra. Visto isso, foi publicado recentemente no “Journal of Orthopaedic Surgery and Research” um estudo com o objetivo de comparar as duas práticas. 

Veja mais: O uso de colar cervical após cirurgias de coluna e ou não aconselhável – Portal Afya

 

O ESTUDO 

O estudo foi prospectivo, duplo-cego, randomizado conduzido entre junho de 2022 e junho de 2023 em um hospital de Pequim, China. Foram incluídos pacientes de 18 a 70 anos com fraturas de membros com menos de três semanas de evolução, atendidos e operados em um hospital chinês.  

Foram excluídos pacientes com doenças vasculares periféricas, trombose venosa profunda, doença sanguínea, como anemia falciforme ou em uso de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários antes da cirurgia, fraturas expostas, PAS > 200 mmHg na sala de cirurgia que não pôde ser reduzida por medicamentos, casos que não usaram torniquete.  

Os pacientes foram randomizados nos dois grupos na proporção 1:1 e o desfecho primário foi o efeito hemostático do campo cirúrgico, que foi dividido em quatro níveis, ou seja, (I) Excelente, (II) Bom, (III) Razoável, (IV) Ruim. A avaliação foi conduzida 15 minutos após o início da cirurgia. Os desfechos secundários incluíram inchaço dos membros e complicações relacionadas ao torniquete. 

Cada grupo teve 72 pacientes (36 membros superiores e 36 membros inferiores). No total, o efeito hemostático do grupo personalizado foi pior do que o do grupo uniforme pelo teste de não inferioridade. O efeito hemostático de fraturas de membros superiores com PAS mais 50 mmHg para pressão de inflar o torniquete também foi pior do que com 250 mmHg. No entanto, não houve diferença estatisticamente significativa entre 300 mmHg e PAS mais 100 mmHg no efeito hemostático do grupo de membros inferiores 

Além disso, não foi observada diferença na incidência de complicações (p = 1,000) e alterações pós-operatórias no edema dos membros durante dois dias após a cirurgia (membro superior: P1 = 0,546, P2 = 0,545; membro inferior: P1 = 0,408, P2 = 0,857) entre o grupo personalizado e uniforme. 

 

CONCLUSÃO 

Concluiu-se que, para isquemia de membros superiores, o valor padrão é superior ao valor personalizado quando se soma apenas 50mmHg em relação à pressão sistólica. As outras comparações não demonstraram superioridade de qualquer uma das técnicas. 

 

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