As fraturas proximais do úmero embora sejam na maioria dos casos de tratamento conservador, exibem um desafio quando apresentam indicação de fixação cirúrgica. As técnicas de osteossíntese utilizando implantes modernos apresentam um índice elevado de falha. A perda de redução é uma preocupação significativa após a osteossíntese das fraturas proximais do úmero com placas bloqueadas, com uma incidência relatada de 4% a 22% dos casos.
Leia também: Dor neuropática após tratamento cirúrgico de fraturas do rádio distal
Novo estudo
Um recente estudo foi publicado com o objetivo de determinar as características associadas à perda de redução após redução aberta e fixação com placa bloqueada de fraturas proximais de úmero em idosos e determinar se a perda de redução afeta os resultados reportados pelo paciente (RRP), a amplitude de movimento (ADM) e as taxas de complicações durante o primeiro ano pós-operatório.
Métodos
Pacientes com idade superior a 55 anos que se submeteram a osteossíntese de úmero proximal foram avaliados. As características dos pacientes e das fraturas foram registradas. As características de fixação foram medidas na radiografia AP pós-operatória inicial, incluindo a altura da cabeça do úmero (ACU) em relação à tuberosidade maior (TM), o ângulo cabeça-eixo (ACE), a distância parafuso-calcar e a distância da ponta do parafuso à superfície articular. A perda de redução foi definida como deslocamento da TM > 5 mm ou deslocamento do ACE >10° nas radiografias de acompanhamento final. As características do paciente, da fratura e da fixação foram testadas quanto à associação com perda de redução. Os resultados, incluindo (RRP), dor na escala analógica visual e escores funcionais, bem como as taxas de complicação/reoperação durante o primeiro ano pós-operatório, foram comparados entre os pacientes com ou sem perda de redução.
Resultados
Um total de 79 pacientes foram identificados, destes, 23 (29,1%) tiveram perda de redução. A cominuição do calcar (risco relativo [RR] = 2,5, intervalo de confiança de 95% [IC] = 1,3-5,0, p < 0,01), ACU <5 mm acima da TM (RR = 2,0, IC = 1,0-3,9, p = 0,048) e distância parafuso-calcar ≥ 12 mm (RR = 2,1, IC = 1,1-4,1, p = 0,03) foram fatores de risco para perda de redução. Na análise multivariada, a cominuição do calcar foi determinada como um fator de risco independente para perda de redução (RR = 2,4, IC = 1,2-4,7, p = 0,01). A perda de redução levou a maiores taxas de complicações (44% vs. 13%, p < 0,01) e reoperação (30% vs. 7%, p < 0,01), e diminuição da realização de ADM satisfatória (> 90° de flexão ativa para frente, 57% vs. 82%, p = 0,02).
Saiba mais: Banda de tensão ou reparo com sutura para fraturas de olecrano desviadas?
Conclusão
Os resultados deste estudo sugerem que a cominuição do calcar, a diminuição da altura da cabeça do úmero e o aumento da distância parafuso-calcar são fatores de risco para perda de redução após a osteossíntese de fraturas proximais de úmero.
Mensagem prática
Esses fatores morfológicos e técnicos são considerações importantes para a manutenção prolongada da redução no tratamento destas fraturas.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.