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Infectologia21 outubro 2026

Estudos avaliam Dolutegravir e Fostemsavir no HIV resistente

Em pacientes com HIV resistente, estudos de 96 semanas analisam supressão virológica, recuperação imunológica e segurança dos esquemas

Em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) com mutações de resistência, formar um esquema antirretroviral que seja eficaz e bem tolerado pode ser desafiador. Recomenda-se que esquemas otimizados contenham 2 a 3 fármacos ativos, escolhidos baseado em testes de resistência e histórico de tratamento.

O Dolutegravir (DTG) é um dos principais antirretrovirais utilizados atualmente, constituindo uma grande proporção dos esquemas dispensados ao redor do mundo. Já o Fostemsavir (FSP) é um inibidor de adesão indicado para tratamento de resgaste em PVHIV multiexperimentados.

Dois estudos recentes – VIKING-3 e BRIGHTE – avaliaram a eficácia de esquemas de DTG em dose dobrada e de FSP em PVHIV com opções limitadas de tratamento. Os resultados conjuntos desses estudos de fase 3 foram publicados na Open Forum Infectious Diseases.

Em pacientes com HIV resistente, estudos de 96 semanas analisam supressão virológica, recuperação imunológica e segurança dos esquemas

Como os estudos VIKING-3 e BRIGHTE avaliaram o HIV resistente

O estudo VIKING-3 incluiu adultos com HIV resistente que eram multiexperimentados e que estavam em falha terapêutica com esquemas contendo Raltegravir (RAL) ou Elvitegravir (EVG), mas que tinham pelo menos um antirretroviral completamente ativo como opção. Já o BRIGHTE é um estudo de fase 3 que incluiu adultos com HIV resistente em falha terapêutica, com no máximo duas classes de antirretrovirais ativas.

Ambos os estudos avaliaram a proporção de supressão virológica na semana 96. A contagem de células T-CD4, proporção de células CD4/CD8 e desfechos de segurança também foram avaliados na semana 96.

Perfil dos pacientes nos estudos VIKING-3 e BRIGHTE

O VIKING-3 incluiu 183 participantes, com uma mediana de 48 anos e predominância de homens e de participantes de etnia branca. A mediana de CD4 foi de 140 células/mm³. A prevalência de resistência primária à integrase foi de 67% e os antirretrovirais mais utilizados foram Darunavir + ritonavir (DRV/r) e Tenofovir/emtricitabina (TDF/FTC).

O BRIGHTE contou com 272 participantes, também com uma mediana de 48 anos e maioria de homens e pessoas brancas. A mediana de CD4 foi de 100 células/mm³. A prevalência de resistência primária à integrasse foi de 43% e os antirretrovirais mais utilizados foram DTG e DRV/r.

Supressão virológica com Dolutegravir e Fostemsavir

No VIKING-3, a proporção de participantes com carga viral RNA-HIV < 50 cópias/mL foi de 69% e 63% nas semanas 24 e 48, respectivamente. A proporção de participantes com carga viral < 50 cópias/mL foi de 84% e a de pacientes com carga viral < 100 cópias/mL foi de 93% na semana 96. No BRIGHTE, a proporção de participantes com resposta virológica e carga viral < 40 cópias/mL foi de 60% na semana 96%.

Recuperação imunológica após 96 semanas de tratamento

Em ambos os estudos, houve aumento na contagem de células T-CD4 e na proporção CD4/CD8, com uma de mediana de aumento de células CD4 do início do estudo até a semana 96 de 160 células/mm³ e de 175 células/mm³ no VIKING-3 e no BRIGHTE, respectivamente. A mediana da proporção CD4/CD8 também aumentou nos dois estudos, indo de 0,15 para 0,32 na semana 48 no VIKING-3 e 0,14 para 0,36 na semana 96 no estudo BRIGHTE.

Segurança e eventos adversos dos esquemas de resgate

O perfil de segurança também foi semelhante entre os dois esquemas, com 92% dos participantes relatando algum tipo de evento adverso tanto no VIKING-3 quanto no BRIGHTE, dos quais 1% e 3%, respectivamente, foram considerados como relacionados aos medicamentos. A proporção de descontinuação de tratamento por eventos adversos foi de 4% no VIKING-3 e de 5% no BRIGHTE.

Autoria

Foto de Isabel Cristina Melo Mendes

Isabel Cristina Melo Mendes

Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro

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