Logotipo Afya

Conteúdo Patrocinado

GSKintersect
Anúncio
Dermatologia13 fevereiro 2026

Dutasterida no manejo da alopecia androgenética

Uma visão atual sobre eficácia, segurança e individualização terapêutica da dutasterida
Por Isabella Doche

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com GSK de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

A alopecia androgenética (AAG) é a forma mais comum de perda capilar progressiva, com importante impacto psicossocial.1,2 A conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT) pela enzima 5α-redutase exerce um papel central na miniaturização folicular e no encurtamento da fase anágena neste grupo de pacientes.1 Entre as abordagens farmacológicas disponíveis aprovadas,3 a dutasterida, inibidor de segunda geração das isoenzimas 5α-redutase tipos I e II, destaca-se pela capacidade de suprimir os níveis de DHT, resultando em eficácia superior à finasterida, com perfil de segurança favorável.1,2,4

Mecanismos fisiopatológicos e farmacológicos

Estudos genéticos demonstram aumento da expressão das isoenzimas 5α-redutase tipos I e II em homens com AAG, especialmente da isoforma tipo II.5 A dutasterida apresenta potência cem vezes maior sobre a isoenzima tipo I e três vezes maior sobre a tipo II, em relação à finasterida.1,4 Em comparação farmacodinâmica, a redução da DHT folicular foi de 92% com dutasterida versus 64% com finasterida,6 podendo indicar uma supressão mais abrangente. Essa inibição marcada reflete-se na reversão parcial da miniaturização, prolongamento da fase anágena e aumento do diâmetro dos fios.1,2 Além disso, sua longa meia-vida plasmática (aproximadamente cinco semanas) favorece um efeito sustentado, o que permitiria benefícios cumulativos em regimes prolongados.2,4,7

Evidências clínicas de eficácia e segurança

Diversos ensaios clínicos e estudos observacionais corroboram a superioridade da dutasterida em relação à finasterida quanto a densidade capilar, cobertura do couro cabeludo e perfil de segurança.2,4,7,8

Esses resultados se traduziram em melhora na densidade e espessura em 89,9% dos pacientes, com bom perfil de segurança após cinco anos de seguimento.9 A eficácia em homens acima de 50 anos10 e a segurança em uso prolongado7,9 foram confirmadas com a dose de 0,5 mg/dia de dutasterida. Os eventos adversos sexuais são poucos e, em geral,  reversíveis após suspensão.2,8 Estudos de farmacovigilância reforçam que a maior potência inibitória da dutasterida não se associa ao aumento proporcional de efeitos colaterais, sustentando seu perfil de segurança quando usada de forma criteriosa.7 Embora existam hipóteses sobre risco aumentado de depressão, ideação suicida ou declínio cognitivo em usuários de inibidores da 5 α-redutase, revisões sistemáticas recentes não demonstraram associação significativa em indivíduos saudáveis.11-13 Em homens sob rastreamento urológico, alterações do PSA devem ser interpretadas com cautela,2 e casos de subfertilidade devem ser acompanhados em conjunto com urologista.3

Aplicabilidade clínica e perspectivas terapêuticas

A dutasterida já é indicada como primeira linha de tratamento para AAG por diversos guidelines, como o espanhol.14 O tratamento deve ser mantido por pelo menos 12 a 24 meses para avaliação adequada da resposta clínica.7,9 A individualização do tratamento é essencial, considerando idade, padrão de alopecia, comorbidades e histórico psiquiátrico.1,2 Combinações terapêuticas, como dutasterida oral com minoxidil tópico ou oral mostram efeito sinérgico na melhoria da densidade capilar e manutenção dos resultados.2 A compreensão aprofundada do papel da DHT e das variações genéticas da enzima 5α-redutase e do receptor androgênico abre caminho para estratégias personalizadas no futuro.5 Assim, a dutasterida consolida-se como ferramenta comprovadamente segura e eficaz no arsenal terapêutico dermatológico, integrando evidências moleculares e clínicas para o manejo da AAG.1,5,7

Autoria

Foto de Isabella Doche

Isabella Doche

Formação em Medicina pela Faculdade de Ciencias Medicas de Santos - 2004. Especialização em Dermatologia pelo Hospital Ipiranga - 2007. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia - 2008. Doutorado e pós-doutorado pela Universidade de São Paulo - 2016 e 2019. Fellowship pela Universidade de Minnesota - EUA - 2009. Pesquisadora colaboradora da Universidade de São Paulo desde 2020. Orientadora de mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo desde 2023. Autora do livro “Fundamentals of Hair and Scalp Dermoscopy”. Board of Directors da American Hair Research Society (2021-2024). Comitê-diretor de associados da American Hair Research Society desde 2024. Palestrante em congressos nacionais e internacionais e autora de publicações científicas em temas de doença do couro cabeludo e do cabelo.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Dermatologia