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Cirurgia3 março 2026

Simpósio ASCO 2026: Radioterapia pós-operatória para câncer de próstata recorrente

Câncer de próstata: meta-análise POSEIDON avalia benefício da terapia hormonal associada à radioterapia pós-prostatectomia e impacto na sobrevida global.
Por Jader Ricco

Atualmente, o tratamento de primeira linha para o câncer de próstata localmente avançado envolve uma abordagem multimodal com uso de radioterapia associado à terapia de privação androgênica (TPA) de longo prazo (18-36 meses). Em pacientes elegíveis para cirurgia, a prostatectomia radical é uma alternativa e pode ser seguida por radioterapia adjuvante associada ou não a TPA. 

A combinação de terapia hormonal e radioterapia definitiva no tratamento do adenocarcinoma de próstata localmente avançado melhora a sobrevida global. No entanto, no cenário pós-operatório, os efeitos da adição de terapia hormonal à radioterapia adjuvante na sobrevida global não são tão claros. 

Um estudo apresentado no primeiro dia do Simpósio Geniturinário da American Society of Clinical Oncology (ASCO), o POSEIDON, apresentou uma meta-análise de dados individuais provenientes de ensaios clínicos randomizados, com o objetivo de avaliar o real benefício da adição da terapia hormonal à radioterapia pós operatória. 

Métodos 

O estudo POSEIDON foi uma metanálise de dados individuais de 6 ensaios clínicos randomizados de fase 3 que avaliou se os pacientes com adenocarcinoma de próstata se beneficiaram, de fato, com a adição de terapia hormonal à radioterapia pós-operatória após prostatectomia radical. O desfecho primário foi a sobrevida global. Os autores analisaram tanto a terapia hormonal a curto prazo (4-6 meses) quanto a de longo prazo (24 meses) e, além da população geral, os resultados foram analisados em subgrupos PSA com ponto de corte de 0,5 ng/mL. 

Resultados 

Os 6 ensaios avaliados englobaram um total de 6.057 pacientes avaliados por um período médio de 9,02 anos. Os resultados da meta-análise revelaram que a adição de terapia hormonal à radioterapia após prostatectomia radical não melhoraram a sobrevida global na população geral do estudo (HR 0,87, IC 95% 0,76-1,01, p=0,06).  

No entanto, pacientes com nível de antígeno prostático específico (PSA) acima de 0,5 ng/mL no momento da radioterapia apresentaram uma melhora na sobrevida global com adição de terapia hormonal. Em relação à duração, a terapia hormonal de curto prazo é adequada para a maioria dos pacientes e não foi identificado benefício adicional com terapia hormonal prolongada. 

Conclusão 

O fato relevante nesse estudo é que a adição de terapia hormonal à radioterapia pós-operatória após prostatectomia radical para homens com PSA de 0,5 ng/mL ou inferior pode não implicar em benefício real à sobrevida global. Isso implica que a toxicidade associada ao tratamento hormonal não é compensada por benefícios reais. 

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Graduado pela UFMG ⦁ Membro do corpo clínico do Oncoclínicas Cancer Center  ⦁ Cirurgião Oncológico no Instituto de Oncologia da Santa Casa ⦁ Cirurgião Oncológico e preceptor de cirurgia Geral na Santa Casa de Belo Horizonte e Hospital Vila da Serra.

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