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Cirurgia17 fevereiro 2020

Quais as possíveis causas da lesão nervosa pós-operatória?

Muito se especula sobre as causas de lesão nervosa pós-operatória, principalmente em cirurgias de membros superiores. Há uma incidência aproximada de 5%.

Por Gabriela Queiroz

Muito se especula sobre as causas de lesão nervosa pós-operatória, principalmente em cirurgias de membros superiores. Estatisticamente falando há uma incidência de aproximadamente 5% de aparecimento de lesão nervosa pós-operatória, sendo que mais de 40% desses pacientes apresentam alguma perda de função do membro definitivamente, o que causa grande angústia e ansiedade tanto por parte do paciente como por parte da equipe cirúrgica.

Estudos têm sido realizados para identificar as causas e possíveis fatores que podem levar ao aparecimento dessas lesão, principalmente em cirurgias onde se é realizado bloqueios locais como bloqueio de plexo braquial.

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médicos cirurgiões com sua aparelhagem para evitar lesão nervosa pós-operatória

Lesão nervosa pós-operatória

O mais recente estudo sobre essa estatística selecionou diversos pacientes com uma avaliação pré-operatória minuciosa para exclusão de qualquer condição clínica que determinasse lesão nervosa preexistente com o preenchimento de questionário de avaliação da função do membro e exame físico minucioso por profissional especialista em cirurgia de mão.

Qualquer paciente que apresentasse um mínimo grau de alteração nervosa, assim como disfunções autonômicas como sudorese local, alteração de coloração e temperatura da pele ou do crescimento de pelos foram excluídos do estudo. Em relação à técnica cirúrgica e anestésica, essas ficaram a critério dos profissionais, não havendo nenhuma mudança da rotina anestésica-cirúrgica nesses pacientes.

Somente em relação ao torniquete cirúrgico que foi estipulado tempo de no máximo 120 minutos e uma pressão de insuflação de até 180 mmHg. No pós-operatório os pacientes foram também minuciosamente avaliados para a presença ou não de lesão nervosa até seis semanas após o procedimento. Da totalidade dos pacientes submetidos ao estudo, evidenciou-se que 5% apresentaram lesão nervosa pós-operatória, sendo que a maioria das lesões não estava relacionada a técnica anestésica, principalmente pela estatística demonstrar que a incidência de lesão em pacientes submetidos a anestesia geral sem bloqueio era a mesma daqueles que foram submetidos ao bloqueio local. A incidência de lesão comprovada por motivos anestésicos foi de 0,1%.

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Alguns fatores inerentes ao paciente estão relacionados ao aparecimento de lesão nervosa no pós-operatório, como baixo peso e extremos de vida, principalmente por esses pacientes apresentarem uma exposição anatômica mais superficial do nervo. Fatores de risco relacionados à cirurgia são mais evidentes, como, por exemplo, o trauma direto do nervo no campo operatório e lesões causadas pelo torniquete e posicionamento forçado do membro.

Conclusões

O estudo demonstrou que a exata causa da injúria nervosa é de difícil identificação, porém na maioria dos casos as suspeitas de lesão caíram principalmente em cima do procedimento cirúrgico. Importante detalhe foi demonstrado que pacientes que foram submetidos a bloqueio regional não apresentaram maior incidência de lesão dos que aqueles submetidos a anestesia geral. Fator bastante relevante, pois as vantagens do bloqueio de plexo braquial sobre a anestesia geral são bem maiores.

Apesar da lesão nervosa ser bem rara e ainda não haver evidências concretas sobre as causas exatas, 40% dos pacientes que apresentam lesão neural pós-cirúrgica evoluem com lesão crônica, o que acaba por comprometer a capacidade funcional do membro. Por isso, os casos de injúria nervosa são bastante preocupantes para toda a equipe cirúrgica.

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Referências bibliográficas:

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