Paciente de 3 anos de idade foi encaminhado para avaliação de fimose. Durante o exame físico, apenas o testículo esquerdo está na bolsa e o direito está na altura do anel inguinal interno. Mãe relata que, desde o nascimento, notou somente a presença do testículo esquerdo na bolsa e que foi orientada a aguardar a “descida” do testículo direito.
Ao ser encaminhado para o especialista, foi examinado e confirmada a presença de testículo esquerdo na bolsa escrotal (tópico) e testículo direito fora da bolsa escrotal. A palpação bimanual permitiu a identificação de estrutura compatível com testículo na altura do anel inguinal interno à direita, compatível com diagnóstico de criptorquidia.
O pênis apresenta apenas aderências balanoprepuciais, sem fimose. Restante do exame sem alterações.
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HIPÓTESE DIAGNÓSTICA
A ausência de um ou ambos os testículos em bolsa escrotal é definida como criptorquidia, e se refere ao testículo não descido.
Durante o período fetal, os testículos sofrem um processo de migração da sua região de destino, na cavidade abdominal, até a bolsa escrotal. A falha durante a migração leva à ausência do testículo na bolsa escrotal, podendo estar em qualquer parte do trajeto de descida, sendo encontrado principalmente na região inguinal, como descrito no caso clínico.
A palpação do testículo na região inguinal exclui a possibilidade de agenesia e atrofia testicular. Já nos casos de testículo retrátil, o testículo apresenta um reflexo cremastérico exacerbado, podendo sair da bolsa escrotal, porém retornando espontaneamente ou sendo levado facilmente até lá durante o exame físico.
O tratamento dos testículos não descidos é cirúrgico, podendo ser realizado a partir do sexto mês de vida, idealmente até um ano de idade. A cirurgia de orquidopexia consiste no posicionamento correto do testículo na bolsa escrotal.
Nos casos em que o testículo não está na bolsa escrotal e não é palpado em nenhum local da região inguinal e perineal, ele é classificado como testículo impalpável, devendo o paciente ser encaminhado para a videolaparoscopia diagnóstica diretamente, sem necessidade de exames de imagem complementares.
A videolaparoscopia diagnóstica irá determinar a presença ou ausência do testículo, assim como seu aspecto e provável viabilidade, indicando a possibilidade de orquidopexia em um ou dois tempos cirúrgicos.
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